quinta-feira, 18 de julho de 2013

Biodiversidade na Caixola da Galera

PETI de Alfredo Wagner
Há tempo,  distribuímos as primeiras Cadernetas de Campo com fotografias de aves para os alunos da Escola de São Leonardo. Em 2007 resolvemos desenvolver um mapa com música. Adaptamos, numa música do Tom Zé, o refrão, que dizia: Mapa com música é muito bom, então, mão na massa! A letra propunha o que  poderia ser feito com um mapa: indicar uma casa, mostrar os rios, árvores, pontes, o nascente, o Cruzeiro do Sul...

Apresentamos a bússola, apontamos o Norte e incentivamos para que desenhassem passarinhos - no local onde apareciam - diretamente no mapa.  Repleto de informações, este mapa foi utilizado durante aquele ano como gerador de discussão nas atividades desenvolvidas na escola, pois as crianças sempre acrescentavam novidades ao mapa e nos questionavam muito. Foi ótimo!
No final do ano propusemos, também voluntariamente, desenvolver alguma atividade  no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) em Alfredo Wagner.

Iniciamos com a confecção de flautas de bambú e logo fizemos uma primeira “Apresentação” e, tempos depois, um “Concerto”. Tudo aconteceu em clima de pura improvisação, muito proveitosa, por ter criado uma perspectiva absolutamente informal, tanto na música, quanto na proposta de Educação Ambiental. O resultado dessa atividade, literalmente, caiu do céu.

Após o “Concerto”, na hora do lanche, as crianças iniciaram uma conversa sobre aves. Havia ninhos de corruíra e andorinha no teto e alguém perguntou se a gente sabia de quem eram aqueles ninhos. A curiosidade cresceu e a roda estreitou para ouvir o que sabíamos sobre aves, mamíferos, insetos,  plantas...
O interesse foi tamanho, o dia findou e ficamos de voltar, em breve, com uma caixa cheia de aves. Estava atiçada a curiosidade da galera.

Férias, reuniões e compromissos depois, lá fomos nós com uma idéia na caixola.
Para apresentar a Caixa de Aves, criamos uma dinâmica especial. Numa roda, com vinte crianças e   dois monitores, as fotos circularam de mão em mão até dar a volta completa.

Lançou-se um tema: Quem conhece a foto que tem na mão? Abrimos o papo por aí, de modo que a foto na mão  pudesse “falar” através da pessoa, como se fosse um fantoche. Esta pessoa puxava  outra,  que também reconhecia o que tinha em mãos e o assunto fluiu. Formaram- se grupos com aves do mesmo  gênero, família, estrato e hábitos.

Criávamos pontes entre os temas, o que despertava o interesse para o próximo assunto. Quando a conversa esfriava, fazíamos uma rodada de novas fotos; assim, a brincadeira durou duas horas. Conversas  paralelas eram incentivadas e havia situação em que um passarinho chamava a atenção  de todos. Era a oportunidade de explicar o máximo possível, porém, sem deixar as crianças dispersarem, a tarefa mais difícil.

A surpresa da  atividade ficou por conta de um pica-pau-de-banda-branca, que resolveu aparecer AO VIVO, do nosso lado. Um momento mágico!

Após o lanche, outra surpresa: surgiu a tal da Caixola, em pessoa! Aí, sim, um fantoche de verdade, que distribuiu uma foto para cada criança, agradeceu e prestou muita atenção aos comentários,
alguns  profundos, sobre  a atividade com a passarada.

Estagiários, a diretora e a merendeira também ganharam fotografias da Caixola.

O interesse pela  biodiversidade despertou quando ouvimos, dos pequenos, que sem mato não tem passarinho, nenhum bicho, nem água, nem nada. Colocamos o presente nas suas mãos.

Escola de São Leonardo em agosto de 2008

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