segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Roda na Expedição Pantanal

Rio Abobral, uma das prinncipais artérias do Pantanal.

Sabe um daqueles sonhos que a gente gostaria de sonhar para sempre? O Pantanal é assim grande: deslumbrante, exuberante, fantástico, encantador. Frágil, é uma das maiores áreas inundáveis do mundo. Cercado de monoculturas e problemas, como o assoreamento de seus belíssimos rios. Assunto que está rolando por todos os cantos, é só pesquisar. 

Daqui há pouco teremos tempo pra contar dos passeios e amigos. 
Agora, a vivência com crianças e Círculos de Aves da Floresta Atlântica: festa no Pantanal!

Toyota-dois-em-um

Na primavera de 2011, preparamos a Casamóvel para caminhos pantaneiros incríveis.
O freio ter pifado em Bonito foi um aviso dos céus: revise sempre as pastilhas... E toca que o mundo é grande!

Walkiria e sua turma no Familia Legal, Bonito.

Na bagagem, fotos e guias da Reserva Rio das Furnas, Poster de Aves da Floresta Atlântica, uma flauta de bambu e a Caxola, que, assim como nós, esteve pela primeira vez no Mato Grosso do Sul e voltou destrambelhada, porém feliz.

Rapidinho viraram uma caixa do avesso e táva lá: o inesquecível Jacaré, encantado com a Caxola e tudo!

Pantanal: 656 espécies de aves, avistadas aos milhares

Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera pela UNESCO, o Pantanal é uma planície sedimentar, com inundações periódicas, localizado no centro da América do Sul, com cerca de 147 km2, integrando a Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai, que ocupa aproximadamente 500 mil km2 e é compartilhado pelo Brasil, Bolívia e Paraguai.

A sorridente Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), ameaçada de extinção...

É considerado uma das vias mais importantes para as aves migratórias dos hemisférios Norte e Sul. Segundo dados da WWF World Wide Fund For Nature, o Pantanal possui 263 espécies de peixes, 122 espécies de mamíferos, 93 espécies de répteis, 1.132 espécies de borboletas e 656 espécies de aves.

O mundo das Aves

Antonio Carlos Candido, Siro e Jô em Bonito; Seu Antonio Paraguay em Bodoquena; Fabiano da Pousada Aguapé em Passo do Lontra e o Élcio Pantaneiro, no Rio Abobral, nos guiaram por lugares emocionantes. Muita imagem na memória. Nossa ideia é circular pelo Continente das Aves e das Crianças.

O simpático Tuiuiú (Jabiru mycteria), ave símbolo do Pantanal coroado de mutuca.

Está formada a de Rede de Amigos do Pantanal

Através da web conhecemos amigos que nos receberam com carinho. Nossas atividades com as crianças fluiram que foi uma beleza!

Os primeiros contatos foram com os biólogos e ornitólogos Daniel de Granville e Tietta Pivato, em Bonito. Nos encaminharam até o Instituto Familia Legal, coordenado pela Walkiria e uma equipe de professores que atendem dezenas de crianças de 6 até 15 anos no contra turno escolar, com atividades educacionais, culturais e esportivas, além de jovens e adultos em projetos de qualificação profissional e de geração de renda.

O Instituto Familia Legal está na reta final do grande prêmio Itaú-Unicef. Vamos torcer para que consigam ganhar, pois o trabalho deles é imprescindível para o futuro de Bonito.

Siro e Jô tratam de recuperar um casal de araras-canindé (Ara ararauna)

Conhecemos um dos fundadores da SPVS Ronald Rosa que dirige a Brazil Bonito, ONG que desenvolve ações com escolas e moradores de Bonito: Educação Ambiental, Papel Reciclado, Artesanato. Ponto de Cultura.

Tucanuçu, onça, tamaduá: mimos costurados à mão.


Edson Endrigo deu a pista para o Buraco das Araras e Pousada Aguapé. Renato Grimm - que esteve no Pantanal um pouco antes - falou dos atalhos, estradas e desvios. João de Deus, Miriam e Wigold Prochnow, enviaram contatos na Serra da Bodoquena.

Na Serra da Bodoquena

Depois de Bonito, rumamos para Bodoquena no dia 29 de setembro, onde fomos recebidos pela Dona Edir (dica do Siro Sirgado e da Joelma Vargas - Abaetecotur e Casa das Araras) que nos encaminhou ao Projeto Aroeira, onde nossas aves circularam entre crianças animadas que foram convocadas de última hora, numa tarde ensolarada.

Alunos de Bodoquena com Luciana, coordenadora do Projeto Aroeira

Neste local, voluntários oferecem cursos para adolescentes e mulheres. Vimos uma porção de taboas secando para a confecção de bolsa, tapete, aparador de panela...

Dona Edir, arte Kadiweu e Luciana

Moinho Cultural em Corumbá


Ficamos hospedados no Moinho Cultural, a convite de Viviane Fonseca Moreira, Bióloga e Gestora do Setor de Meio Ambiente do Instituto Homem Pantaneiro.

Num antigo moinho no Porto Geral de Corumbá, recuperado e transformado em Ponto de Cultura, fizemos nossa Roda de Passarinho entre ensaios de bailarinos.

Bailarinos no Moinho Cultural

Escola Jatobazinho


A aventura final aconteceu no rio Paraguai, onde subimos quase 100km de barco, a convite do Instituto Homem Pantaneiro e do Acaia Pantanal, um toque do Daniel de Granville.

Roda de Passarinho no pomar da Jatobazinho. Mais alémmm!
Tivemos sorte, pois nossa visita coincidiu com a volta às aulas. Muitas rabetas enconstaram no porto do Jatobazinho com famílias inteiras trazendo seus filhos para a escola. Ares de despedida, rever amigos de sala, de quarto, professores amigos, merendeiras, toda uma equipe preparada para mais uma jornada de aulas.
Também ouvimos histórias e depoimentos intensos de ribeirinhos e moradores da região do Payaguás, que nos confessaram estarem preocupados com o assoreamento deste rio e com a invasão de jacarés e a morte lenta de árvores que necessitam do ciclo das águas que foi interrompido há anos justamente por conta do tal assoreamento.
Poucos são os que tem acesso ao estudo, pois Corumbá pode estar até a 3 dias de barco de suas casas, o que inviabiliza o aprendizado. Seu Ruivaldo Nery de Andrade é um dos poucos que conseguiu completar o segundo grau. Poderia ter seguido o estudo mas preferiu cuidar da Fazenda Mutum, agora na terceira geração. "Não saí daqui porque apareceu a Escola Jatobazinho, senão teria ido embora para dar estudos aos meus filhos", nos disse o Seu Ruivaldo.
É dele a preocupação com o fim do Pantanal: "Fazem muito anos, acredito que cinco, que as águas permanecem a 5 centimetros do solo seco. Isso provoca uma modificação muito forte no ambiente, porque as árvores nativas deixam suas sementes cair para que, na época da seca brotem, mas com água por cima isso fica inviável. Outra coisa é a procriação de jacarés. Como vivem tanto no seco quanto no molhado e com a caça proibida, há uma invasão de jacarés, o que também modifica tudo ao redor."

Escola Jatobazinho

Em 2006, com o objetivo de criar uma área de preservação ambiental no entorno da lagoa Baía Vermelha, em Corumbá, Teresa Cristina Ralston Bracher adquiriu as áreas das fazendas das margens. Mas percebeu que muito mais poderia ser feito para o desenvolvimento socioambiental da comunidade do entorno. Em 2009, inciaram-se as atividades da Escola Jatobazinho em parceria com a Secretaria de Educação do Município de Corumbá.

Com o apoio da OGX, do grupo EBX, foram realizadas reforma e adequação das instalações da antiga pousada e com o apoio da Participações Morro Vermelho, foi financiado o projeto pedagógico. A assessoria pedagógica desenvolvida inicialmente pelo Instituto Singularidades passou, a partir de setembro de 2009, contar com o programa Educa+Ação da Fundação Bradesco.

Pais, alunos, professores, colaboradores e visitantes na Jatobazinho: belo e raro momento.

A Escola Jatobazinho oferece classes de aceleração do Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano. Também em 2009, o Acaia Pantanal elegeu um representante no CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Corumbá, início de sua atuação para o fortalecimento de políticas públicas para a criança e o adolescente, ampliado depois na atividade Relações com a Comunidade, que inclui ações de saúde e cidadania e apoio socioeducativo a ex-alunos.

Hoje, a escola funciona em sistema de internação e dá assistência completa para 39 crianças, sendo que a maioria não teria outra opção de estudo, pois alguns moram a dois dias de viagem rio Paraguai acima.

De rabeta pelo rio Paraguai. Até dois dias para chegar à Jatobazinho

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Abaixo, matéria publicada por Patrícia Zerlotti - Fundação Neotrópica do Brasil

Observadores Mirins demonstram conhecimentos sobre aves

Os alunos do Instituto Família Legal de Bonito, MS, surpreenderam o casal Gabriela e Renato Rizzaro durante uma atividade de educação ambiental, ligada a observação de aves, realizada no dia 26 de setembro.

No exercício, cada criança recebeu uma foto de uma ave e depois, juntos, eles verificavam qual a percepção da criança em relação as características da ave.

O casal ficou surpreso com a reação das crianças. Segundo eles, os alunos do Instituto responderam de forma excepcional à atividade, demonstrando grande interesse pelo tema, identificando alguns dos pássaros e até arriscando dizer o que eles comiam com base nas características do bico.

Gabriela e Renato são proprietários e administradores da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio das Furnas, localizada em Santa Catarina. Eles possuem experiência em trabalhar com crianças, desenvolvem várias atividades de educação ambiental, principalmente, ligadas a observação de aves.

Para Marja Milano, bióloga da Fundação Neotrópica do Brasil, a excelente participação das crianças na atividade só vem comprovar que o trabalho realizado pela equipe da organização através do curso "Observadores mirins de aves da Serra da Bodoquena", do projeto Ecologia e Conservação dos Psitácideos no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, conseguiu atingir seu objetivo.

Este resultado também é “um grande estímulo para continuarmos o trabalho em 2011 e 2012”, ressalta Marja. As ações de sensibilização e educação ambiental com os alunos do Instituto Família Legal terão continuidade através do projeto apoiado pelo Instituto Oi Futuro, em parceria com a Fundação Neotrópica.

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