quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Roda de Passarinho na Caatinga (Capítulo I)



14.000 km em 100 dias

Mais de 200 pessoas nos apoiaram para que esta última etapa das expedições aos biomas brasileiros acontecesse com sucesso.
Publicaremos o roteiro em partes com algumas passagens em destaque. A primeira inicia-se na Reserva Rio das Furnas e vai até Nova Viçosa, na Bahia, quando encontramos Frans Krajcberg.

Boa leitura!

Tudo começa na Reserva Rio das Furnas

Logo de saída relâmpagos e trovoadas despencaram sobre a Reserva Rio das Furnas, mal sabíamos que passaríamos 100 dias sem uma gota de chuva. Na realidade tivemos algumas horas de chuva para não ficarmos completamente secos como ficaram - e ainda estão - nossos amigos da Caatinga. Há localidades onde não chove há mais de três anos!

No retorno da expedição, justamente em São Paulo, na marginal do rio Pinheiros, tomamos uma tempestade daquelas tanto que o limpador de para-brisa nem sabia para onde rodar, encarangado pela falta de uso...

Afinal, tivemos a maior sorte, por trafegar no feriado de Natal, e ganhamos de presente as ruas e avenidas mais desertas que já vimos até hoje em Sampa.

Bom, mas agora é hora de partir para a Expedição Caatinga...


Primeira parada: São Luis do Parahytinga

São Luis do Paraitinga nos aconchegou, dia 9 de setembro, com sua arquitetura colonial e pousamos em cima de uma tradicional fábrica de farinha de milho, na Pousada Nativas.

São Luiz do Parahytinga em murais e afrescos

Vista defronte a pousada e acima da fábrica de farinha de milho, em São Luis do Paraitinga

Reserva Guainumbi

No dia 10 de setembro chegamos na RPPN Guainumbi, área muito bem vista pelos observadores de aves pela grande variedade de espécies e facilidade de encontra-las na Natureza. Fizemos um pequeno tour guiados por André, responsável por manter a Reserva bem cuidada.



André, familia e Gabriela na Reserva Guainumbi

Paraty e o Festival Sul Americano

Convidados a participar do Festival Sul-americano de Observadores de Aves pela Associação Cairuçu (11 a 13 de setembro), através do Projeto Aves de Paraty e da coordenadora Sylvia "Paraty", nosso roteiro ganhou ares serranos, antes de tocar a Bahia via Sooretama, no Espirito Santo.

Realizamos nossa primeira Roda de Passarinho com muitas participações especiais, inclusive de João Quental, grande fotógrafo, amigo e observador de aves.

Fizemos muitos contatos e tivemos belas surpresas. Martha Argel, nos doou livros infantis e posters para serem distribuídos durante a expedição e para a biblioteca da Roda de Passarinho, além de uma quantia em dinheiro, arrecadada entre seus amigos, para nos ajudar com os custos da viagem.


Na entrada do Festival, um belíssimo poster com um pica-pau fotografado por Renato Rizzaro


A primeira Roda de Passarinho da Expedição no Festival de Paraty


Sylvia "Paraty" uma das organizadoras do evento participa de nossa Roda




Guia de Aves de Paraty 3, fotos e design de Renato Rizzaro

Um dos livros que Martha Argel presenteou a Roda de Passarinho, guardado desde 1984.


De sua autoria, outro presente pra Roda

Fazenda Murycana

A Fazenda Murycana em Paraty estava no roteiro surpresa preparado pela equipe do Aves de Paraty. Guiados por Luciano Lima curtimos uma bela caminhada. No Restaurante Barão, o bom e barato, nos acompanharam aves incandescentes... êta luz!

Santo Benedito à luz do Barão, restaurante bom e barato com direito a muitos clics

Reserva Guapiaçu

Às 10:30h de 13 de setembro saímos em direção à REGUA (Reserva Guapiaçu) para encontrar Nicolas.

Estrada emocionante em Angra, com suas escarpas ao lado do verde-esmeralda marinho, adensado pelos reflexos chumbosos de nuvens que ainda anunciavam chuva. Os grandes yachts contrastam com as favelas aglomeradas morro abaixo, até o absurdo de ocuparem uma ilha parecida com um capacete gigante, enfeixado por concreto. Uma estrutura bizarra!

Escarpas gigantescas à beira da BR 101 cortam a paisagem Atlântica


As muitas ilhas no entorno de Paraty

Lagoa da REGUA, vista de uma cabana especial para a observação de aves

Tiê-galo (Lanio cristatus) fotografado na Reserva Guainumbi

Parque Estadual do Desengano

Picos rochosos, grande extensão de Floresta Atlântica, muitas aves endêmicas e uma sede aberta ao público com direito a exposição de fotografias, fazem deste Parque uma atração imperdível para quem circula pela região de Santa Maria Madalena, cidade histórica também conhecida por ser berço da atriz Dercy Gonçalves.

Assista a entrevista com o gestor do Parque, Carlos Dário: aqui.



Equipe do Parque do Desengano com os posters de aves

Hora de botar os registros em dia...


A segunda Roda de Passarinho, no Sossego

Quarta-feira, 16 de setembro chegamos ao Sossego do Imbé, comunidade isolada de Santa Maria Madalena, acompanhados de João Marins e Jaqueline Orlando. De passagem conhecemos uma fábrica de queijo provolone, que ainda trabalha nos moldes antigos, o que dá aquele defumado imprescindível aos queijos. Coisa de lamber os beiços, só mesmo acompanhado da cachaça de banana que ganhamos do João Marins. Uma delícia!


Manhã espreguiçosa na praça de Sossego

Renato mostra uma semente de Jequitibá na segunda Roda de Passarinho

Nossa Toya/casinha apresentada por Gabriela aos alunos de Sossego


Cabeça-encarnada (Ceratopipra rubrocapilla) clicado no Sossego

Jardineiras da Floresta

João Marins nos deu uma excelente dica: visitar a Reserva do Cupido, de Xérxes Caliman. Gustavo Magnano, profundo conhecedor da área, nos passou alguns áudios para atrair e fotografar os bichinhos e lá fomos nós!

Encontramos as meninas do Pro-tapir, grupo liderado pela bióloga Andressa Gatti, membro do Grupo de Especialistas em Tapir da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e quase saiu uma foto da principal atriz do grupo, vista de relance numa das trilhas que fizemos para revisar armadilhas fotográficas. Andressa foi quem avistou a anta de relance...

Com a Toyota devidamente adesivada, levamos uma anta para a Caatinga e, olha, ela se deu muito bem por lá!





Renato, Paula, Cris, Andressa (Pro-tapir) e Gabriela com a ilustração do Luccas Longo

Fêmea de Mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii) na Reserva Cupido

e o macho...

A Roda chega a Krajcberg

Realizamos um sonho: conhecer Frans Krajcberg. Chegamos na terça à tarde, 22 de setembro, na porta do Sítio Natura, museu/casa de FK e logo soubemos que estava no Rio de Janeiro, porém, no dia seguinte, poderíamos retornar às 8 horas em ponto, que nos receberia, caso estivesse disposto. 

Desde às seis da manhã já estávamos em prontidão e às 7:30h batemos em seu portão. Nos atendeu o mesmo guarda do dia anterior que prontamente nos anunciou pelo rádio. Depois da noticia de que estávamos à sua espera, imediatamente Krajcberg nos recebia. Emocionante encontrar com este beija-flor de 94 aninhos completados em 13 de abril.

Grande surpresa vê-lo descer de uma pickup que até 4 anos atrás dirigia por todo canto. Hoje, seu piloto é o Sargento Neves, por quem cultiva um carinho especial.

Dali fomos ao Museu e vimos obras gigantescas que se acumulam dentro de algumas salas, pois o trabalho de FK não pode ser encerrado em locais apertados, é obra que pede mais e mais espaço, o que ele em breve irá resolver com a construção de mais um grande museu, agora ao comprido, na frente de seu sítio.

FK tem uma energia contagiante, apesar de sofrer com o câncer de pele e dormir muito mal. Viaja todos os anos ao Rio de Janeiro e frequenta seu ateliê em Paris. O artista, apesar da pouquíssima visão caminha e dá ordens como se visse tudo e a todos. "Baixinho" faz isso, "baixinho" faz aquilo, comanda os auxiliares direta, objetiva e carinhosamente. 

Conhecemos um de seus ateliês onde uma secretária mantém arquivos fotográficos escaneados e acervo de video. De lá sacou uma filmagem sobre a entrega da recente medalha de Honra ao Mérito, que lhe deram em Paris. Olhinhos brilhantes, lamenta que o Brasil não tenha o mesmo respeito pelos "velhos".

Em seguida nos convidou, com uma grossa gargalhada, a conhecer a casa do Tarzan, a sua casa na árvore. Um deleite subir e entrar neste ninho aconchegante e envidraçado. Obra inicialmente construída sobre um único "galho" de um gigantesco vinhático, foi reforçada por colunas de concreto imitando árvores. Isso porque seis homens o assaltaram e, após barbaridades, ficaram todos do mesmo lado da varanda, o que resultou no desequilíbrio do sistema, contou-nos Sargento Neves.

Além de todo o carinho, recebemos duas de suas obras literárias de presente e demos ao querido Krajcberg uma coleção de posters completa.

Dali em diante, flutuando pelas estradas, seguimos para o próximo destino: Teixeira de Freitas, para conhecer o Programa Arboretum, à convite de Jorge Velloso e do promotor de Justiça Regional Ambiental de Teixeira de Freitas, Fábio Fernandes Corrêa. Mas já é outra história que contaremos no seguinte capítulo...





Camping à beira mar, tranquilidade

Homenagem a Krajcberg...

... em dois tempos

Tudo está muito bem cuidado pelos auxiliares de FK

O grande artista abriu seus arquivos e mostrou um pouquinho de sua obra

Krajcberg é uma pessoa amável, embora limitado fisicamente, comanda seus discípulos com firmeza

Ganhamos uma obra rara, que felicidade!

Uma das obras que Krajcberg nos presenteou...


... traz na primeira página a mensagem do "homem queimado".



4 comentários:

  1. Aprovadíssimo, curtidíssimo, esperando o resto!

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  2. Parabéns pelo sucesso da expedição e pelo belo registro dela... esperando pelos próximos capítulos! Feliz 2016!

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  3. Trabalho belíssimo, parabéns!

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