quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Roda de Passarinho na Caatinga (Capítulo XIII)

Chapada Diamantina

Sábado, 12 dezembro, 2015. Saímos de Caracol com a idéia de conhecer Lençois, na Chapada Diamantina, porém as notícias de incêndio de proporções arrasadoras na região nos levaram a Andaraí. Parece mesmo que a teoria de Niède Guidon é "a boa", pois em todas expedições tivemos problemas com as queimadas.

Em 2014, por pouco não perdemos o Parque da Serra da Canastra (Após um mês, incêndio volta a atingir Serra da Canastra) e a Serra do Cipó (Parque da Serra do Cipó, em MG, é fechado por causa de incêndio). Agora, as manchetes se repetiam, a comprovar a dantesca teoria nièdeana:  Chapada Diamantina está virando cinzas!

Do topo da Serra avistamos quase toda a Chapada e lá estava o fogaréu com as labaredas acima do arvoredo. Uma cena medonha, pois não havia como controlar aquelas chamas isolada no meio das montanhas e vento forte. A primeira noite foi tensa, com brigadistas revezando-se em verdadeira batalha com um monstro criado e alimentado pela ignorância de proprietários de terras ao redor do Parque.

Dia seguinte e o fogo continuava, porém com menos intensidade. Seguimos em frente.

Muito bem recebidos em Andaraí pelo casal Francisco Pedro F. Neto e Ane Alves, anfitriões de primeira, estavam nos retoques finais do Camping Diamantino, para os caminhantes que partem ou retornam da grande jornada ao Vale do Paty. Estacionamos a Toynha na frente de sua casa e de lá conhecemos a cidade encantada aos pés das montanhas onde os garimpos de diamante escavaram túneis até hoje percorridos em aventuras perigosas.

Pedrinho é biólogo e conhece as trilhas e os locais para passarinhar, um deles beirando o Pantanal da Chapada Diamantina, com acesso pela Fazenda Marimbus do casal Hélder e Ana que também são proprietários da sofisticada Pousada Sincorá onde degustamos uma deliciosa pizza.

Vale do Paty

16 dezembro às 4h da matina iniciamos uma caminhada de nove horas por trilhas de pedra, outrora construídas para a passagem de homens e mulas carregadas de comida e utensílios para trabalhar e viver longe da cidade por muito tempo. Hoje pouco mudou no Vale do Paty, pois a única maneira de chegar é à pé ou em lombo de mula.

Para chegar ao Vale pela primeira vez é necessário guia. Tivemos a sorte de encontrar Joan, catalão morador do Vale há anos, conhecido como uruguaio, que nos acompanhou passo a passo, vibrando quando encontrávamos as aves que completariam o poster da Caatinga. Durante a caminhada cruzamos quem descesse a pé, em turma, assim como quem subisse com muita bagagem.

Onde há moradores sempre há móveis, camas, colchões, geladeiras e tralhas, certo? Como chegam até o Vale? Se pensou que tudo vai de mula, errou. Vimos um armário maciço amarrado por cordas, dependurado tal qual uma liteira, ser levado morro acima por dois suados conversadores que nem estavam aí para pedras soltas e buracos da íngreme subida, de tão acostumados à lida.

Era só uma parte do armário e ainda fariam a mesma viagem várias vezes para completar a encomenda, nos disseram. Vivem assim, num vai e vem para ganhar um troco transportando coisas ora em lombo de mula ou nos seus lombos mesmo. Isso tudo aconteceu num suadouro, com o sol rachando pedra já nas primeiras horas da manhã.

Uma vez no Vale, jantamos e passamos a noite na casa do Seu Eduardo. Dia seguinte retornamos ao Pedrinho e Ane.







Vista de Andaraí, encrustada entre montanhas da Chapada Diamantina


Formas bizarras nas pedras do caminho


Cadeias de montanhas ao amanhecer


Toyota Bandeirante alongada serve de condução Nordeste afora


Onde tem feira...


...tem sertanejo.


"Pinturas e platibandas" de Andaraí...


... e em Igatu...


...onde o céu iluminou nossa visita.


Cascos de mula alisam a trilha até Paty


Alguns sobem a pé, outros em lombo de mula


Todos observam o movimento


Tapaculo-da-chapada-diamantina (Scytalopus diamantinensis)


Joan, o uruguaio/catalão registrou este momento, no pico da caminhada, inicio da descida.


Gabriela registrou a chegada ao Vale do Paty


Sebinho-de-olho-de-ouro (Hemitriccus margaritaceiventer)


Uma das vistas do Vale do Paty


A Roda com a meninada da Chapada Diamantina


Pedrinho participa da Roda e chama a atenção para detalhes nas aves...


...que os participantes procuram nas suas fotos ou...


...observam com atenção e curiosidade.


Ane e Pedrinho, organizadores da décima sexta Roda de Passarinho


Em Mucugê, o único cemitério bizantino do Brasil...


.... e o Projeto Sempre-viva, imperdível!


No último capítulo veja a Boa Nova em cima do Lajedo dos beija-flores!








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